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PARATODOS.

este é um espaço, dedicado paratodos aqueles amigos que realmente conhecem a alma e o paradoxo de um ser a procura da resposta... nesta longa jornada pela procura, espero contar com os perdidos, pois é com eles que está o achado maior .... olhaki_galera@hotmail.com


28.11.04
 

foto Flávia Valsani
nada mais perigoso que a união da falta de senso crítico com o gosto pela maledicência. Daniel Pizza

Balanço Patrimonial Cardíaco. por Mirella Vaz

e apesar disso. apesar de tudo.
ainda há vida em marte.
ainda há o sorriso.
ainda acordo de manhã, pois ainda há a manhã que amanhece chuvosa ou iluminada com um raiar de sol quente, forte, envolvente.
ainda leio, falo, converso, tomo banho.
apesar disso, ainda sorrio.
e ainda assim escrevo.
apesar de tudo, me alimento e mesmo assim trabalho.
mesmo que ainda doa,
continuo a caminhar.
ainda teimo em ousar.
ainda quero ensaiar, cantar, brincar.
e gosto ainda de gargalhar.
ainda que precise, às vezes, chorar.
apesar disso, ainda quero enfeitiçar.
e muitas vezes ainda tenho que me mascarar.
e gosto mesmo de me enfeitar.
e apesar disso, apesar de tudo.
ainda quero.
continuo a surpreender e a me surpreender.
ainda sou forte para enfrentar.
e continuo a pagar para ver,
mesmo que o preço seja, muitas vezes, alto demais.
e teimo em brigar com o tempo que insiste em me consumir.
e assim corro atrás dele enquanto ele voa atrás de nós.
e ainda gosto de amar.
mesmo sabendo da infinidade de vezes que ainda vou me machucar.
apesar de recear,
é impossível deixar de sonhar.
quando apesar de tudo, apesar disso:
ainda acordo de manhã porque ainda há Amanhã.


o interessante em má educação, e em quase todos os filmes de pedro almodóvar,
é a quantidade de referência que ele nos traz e no como ele transforma isso tudo.
nesse último, ele usou de um roteiro bem escrito para beber na fonte de hitchcock,
e isso é o que torna o filme atraente, apesar de muitos terem questionado sua obra.
longe de ser um almodóvar engraçado, dessa vez sua ficção busca na realidade argumentos sérios,
de forma ousada e por vezes exagerada, para dar o recado e entreter o grande público.
os fãs irão gostar, outros se chocar e muitos protestar, isso é a marca registrada do diretor.
hoje vejo o quanto djavan com sua melodia chinfrim, contribuiu para abalroar meu ouvir,
seu mérito é ter max castro no saxofone, e com ele fazer um som jazzístico estável,
mas quando aquele emaranhado de poesias de boteco começa a soar, chamem um franco atirador.
pior mesmo é ter no palco ivan lins e suas caras bocas e caretas, fica sempre a dúvida,
é correto aplaudir os que estão se levantando para ir embora no meio do show?
seu sucesso, começar de novo, é de embrulhar o estômago do mais pujante ser. despertem a mpb, inovações!
é mais que desnecessário escutar lorotas sobre o amor e suas objeções e satisfação,
todo mundo tem teoria e ponto de vista sobre esse sentimento tão bem lavrado por shakespere.
estou descrente do grande amor, no mundo moderno isso será extinto e imêmore como o latin,
chega de ler romancinhos aprazíveis que exultam na chegada e nos dilemas da alma gêmea,
tenho agora comigo, que o meu grande amor são meus dentes, e mesmo esses me machucam às vezes.
os contos que me emprestou, mostra o tão fácil é lidar com você e com suas metáforas críticas em relação as minhas ações.
observava você conversar e percebi em cada gesto e olhar uma perturbação encantadora,
tinha comigo apenas a certeza que palavras suaves seriam necessário para lhe amenizar à áurea.
sua crueldade está no fato de querer fazer parte dos amargos cálices que nos dão o sabor da atitude,
mas sei que atrás da rispidez, palavras afáveis e de definição aconchegada são o que lhe faz essa persona cogente na minha vida.




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