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PARATODOS.

este é um espaço, dedicado paratodos aqueles amigos que realmente conhecem a alma e o paradoxo de um ser a procura da resposta... nesta longa jornada pela procura, espero contar com os perdidos, pois é com eles que está o achado maior .... olhaki_galera@hotmail.com


30.10.02
 
sem assuntoI
me vejo naqueles dias de "woody alen" em - desconstruindo harry, onde a história gira em torno de um escritor que tem um bloqueio criativo e nem todas as idéias dão certo quando ele dá vida a seus personagens. na verdade mesmo, estou me sentindo aquela dupla de escritores teatrais da época vitoriana, gilbert e sullivan, que também tiveram um bloqueio de criatividade retratados no filme biográfico topsy e turvy - O Espetáculos, e com isso pensam em desistir de tudo, largar a carreira e pronto. não estou inspirado, mas sinto uma necessidade sublime em escrever, quero colocar para fora milhões de assuntos, e nada, não sai nada. já escrevi sobre abacaxis, sobre meu dedão do pé, a mini cicatriz que faz parte de mim e localiza-se no lado esquerdo da minha barriga, a cabeleira dos carecas, as cuecas furadas que entopem minhas gavetas, o azedo do limão...mas nada de um assunto legal, interessante, com isso então resolvi escrever sobre ficar sem assunto, é muito mais interessante. vou intitular este texto como, “ o primeiro assunto sem assunto”, porque esta epidemia, se for uma epidemia pode se alastrar por dias, amanhã eu também posso estar sem assunto mas com uma necessidade incomensurável de escrever....ficar sem assunto é muito mais vasto!!!!






28.10.02
 
Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
(Carlos Drummond de Andrade)






25.10.02
 
uma dica
como toda a sexta-feira não quero filosofar, não quero pensar, quero deletar-me destes absurdos pensamentos que vagam pela minha colidente cachimônia, e assim, entregar-me a algo maior, ao prazer do corpo, da carne, vou deixar a facécia de lado, e enveredar-me pelas algazarras da mundana vida, infiltrar-me com alavancadas fortes pelos estopins que permeiam o divertido prazer do lasso corpo. esqueça, deixe de lado, abstenha, faça de conta que não é com você, é isso sim e pronto, não ligue para as mazelas dos outros, o pudor é uma verdade inventada, limite-se apenas ao seu esplêndido espaço e faça dele um majestoso e forçoso centro de alacridade, viva e seja feliz. o caminho é curto, longa é a tarde, longo é o desejo e longa é a história...





24.10.02
 
a vida e o beijo
o beijo é o estralo doloroso para um coração solitário, que vaga pelas vanguardas da boemia vida em busca de um achado oportuno. acordei pela manhã querendo beijar, o beijo é o aconchego dos carentes, como todo mundo é carente, seja pelo que for ou por quem for, gostar de um beijo é inevitável. o beijo e seu poder de transformação cavalar, só para citar dois exemplos, acordou a "bela adormecida" e transformou o sapo em príncipe. ele é a satisfação dos apaixonados, o impulso dos amantes, a lembrança da despedida e a consumação para um casamentos feliz. não da para se amar sem beijar, isso é fatal, quem ama beija e beija muito, beijar pouco são para pessoas frígidas, sem coração e sem sentimento, o toque do lábio recíproco é um êxtase inexplicável, é o culminante, é o vindouro, é o desejo inerente e o consolo de uma saudade, é o adeus. lembro-me do último beijo que entreguei para a pessoa que mais me amou, ela insistia nos meus beijos, mas meu coração endurecido desarrimava, hoje a minha preterição por aqueles verdadeiros beijos carcomem o meu ser, e não tenho como salvar-me deste decorrente fato. ela se foi, e junto seu anseio pelo meus beijo, desamparando em mim a cobiça de seus ósculos. com isso, recomendo a todos distribuírem beijos por aí, não dói e faz bem, é uma forma de liberar energias prosaicas decorrentes do seu eu, modificando o nebuloso de cada um. quero beijar, quero acordar de algo, alforriar-me deste invólucro insatisfatório dos sem-beijos, derramar o sorriso puro nos olhos do ser beijante e adquirir o gozo pleno, do intrínseco prazer, de se estar sendo beijado. beijem!!!





22.10.02
 
vamos terceirizar
não queria falar sobre nada hoje, só que os assuntos polulam na minha cabeça de forma involuntária. queria falar do enredamento do amor, mas o assunto é dilatado, não daria para ser bem explorado em apenas algumas linhas, ocupariam páginas e mais páginas. ontem ao ver os olhos acabrunhados da minha amiga Mariana (Mari - para nós), o amor estava ali infiltrado com sua garra voraz, junto o medo da perda com uma mistura de ansiedade e algo que poderia vir a acontecer. um susto atroz subitamente invadiu-me, poderia ser eu “novamente” naquela mesma situação. não me sinto organizado para falar do amor, lendo trechos de Camões, Victor Hugo, Platão e Artistóteles, percebo que o amor é subliminar, em outras palavras inexplicável, só quem compreende é o seu inconsciente ou aquela consciência que não foi habitada. e na minha opinião deveríamos terceirizar o amor; para uma pessoa entrega-se o sentimento, para outra o sexo, o seu intelecto (ou sua burrice - depende) para alguém que faça jus as suas qualidade, seria bem mais fácil, menos complexo, e mais gratificante. os sentimentos de retenção e dominação total do outro se aperfeiçoariam. levantem as bandeiras, vamos terceirizar o amor!!!





18.10.02
 
não pensem
depois de uma semana inteira de saco-cheio, fiquei de saco vazio, longe da facul, e daquela prole de professores com suas aulas ultra interessantes. sexta-feira é o dia, não gosto de achar isso porque parece que é moda, mas é o melhor, só de saber que o sábado é amanhã minha euforia se prolifera (amo o sábado!!!), não tenho muito o que dizer, aliás até tenho, mas o tempo me impede, o tempo me cala, o tempo corre e junto com ele tenho que ir, ficar parado é o atraso desnecessário, não quero mentalizar , refletir sobre nada, quero distancia da Yoga e dos pensamentos reflexivos, quero correr junto com o tempo, não pensar faz bem as vezes, é isso, quero não pensar. bom final de semana!!! e não pensem....





17.10.02
 
a deficiente revolta
a minha insurreição tinha me invadido por completo, não podia culpar a solidão ou a ausência que me abriga, o dia para mim seria um mar de atropelamentos, queria era esbravejar com tudo, com todos, nas vítimas e nos culpados, nada me agradava, nem o simples fato de existir era um consolo. aquilo que eu tinha era o infortúnio descabido, não queria só aquilo, minha compulsão pelo quero mais era muito maior, eu merecia mais, mais, muito mais. tomando café em um lugar desses que se toma café, não degustei nada, engolia o alimento para fartar a fome do meu humano, estava tudo sufocadamente ruim, o café, queijo, pão, a geléia, nada tinha que estar lá, queria jogar tudo para alto...um moço alto de1,86, bem vestido, encaminhou-se para a mesa de pães, meio torcido começou a se servir, possuía apenas um braço, o esquerdo, nada parecia anômalo, foi para a mesa de frutas, serviu-se de suco, pegou um pedaço da melancia já cortada e passou pela penca de bananas, neste instante seus olhos se adsorveram com uma exatidão interrogativa, ficou por uns segundos encarando aquela fruta característica da nossa terra, e comboiou adiante. foi uma pitomba na cara que eu levei, tenho certeza que foi, uma transformação abrupta de espírito incidiu,.. sai do restaurante balançando os "dois" braços, revolta? revolta de que? estava completo, isso já bastava.





16.10.02
 
sonhe
Apesar das ruínas e da morte
Onde sempre acabou a ilusão
A força dos meus sonhos é tão forte
Que tudo renasce em exaltação
E nunca as minhas mãos estão vazias
(Sophia de Melo Breyner)





15.10.02
 
mudar é a solução
eu mudei, achei melhor mudar, me encontro no ato da mudança, não quero ser mais eu, quero ser outra pessoa,...joão, josé, adolfo, aquele, não sei, ainda vou para decidir sobre. estou vestindo a cueca do lado avesso, camisa ao contrário, blusa de lã no verão, e chinelo havaiana para trabalhar, isso só para começar, já que é para mudar, mudei. não é isso que todo mundo quer, MUDANÇA, vamos mudar então, comecem a vestir trapos (comprado da barraquinha, lógico), comer farinha pela manhã (carne moída só no natal), leite com café nas baladas agitadas (aquele whisky, só na lembrança), viajar só se for para a casa do vizinho, perfume só os exalados pela dama da noite, feder é o melhor, a fetidez tem lá sua afabilidade. festas sociais estão extintas, cinema no final de semana, já era, um livro bom no acréscimo do seu intelecto, para que? VAMOS MUDAR!!!, encontramos a saída, chutar o pau da barraca já! tive uma idéia, vamos nos uniformizar, sejamos todos iguais, a mudança é sermos iguais, homens carecas e mulheres usando lenço na cabeça, nada que exija muito, exigir muito é voltar ao passado. saiam de suas casas, o barraco é uma boa solução, ou melhor o mato, vamos morar no mato, acampar eternamente nos ricos verdes da nossa terra, essa é a saída, larguem seus ternos e suas roupas importadas, esqueçam o prazer do aconchegante carro (temos o jumento), o delicioso restaurante também fica para atras, comer em comunidade sim, mas ao ar livre com prato na mão e com apenas uma colher de ferramenta, mudar é o melhor soluto. mudem!!!





14.10.02
 
todo mundo “nos se ajudando”
estive prestes a me jogar, sou um suicida, a vida não me pertence, nem a completa satisfação de se estar satisfeito com essa insatisfação me satisfaz. minha revolta vem desse instrumento de diversão tola, dominando tudo e a todos com suas hipocrisia subliminares. somos hipnotizados com babaquices absurdas de uma sociedade altamente corrompida pelos meios. ao me deparar com esses meios da estupidez mundana, corro das facas e das janelas, é quase inevitável um suicídio atroz. temos jornais debilóides corrompidos, temos dramalhões miseráveis em sua estrutura interligados com um marketing absurdo, onde se faz aumentar sua necessidade de consumo, temos loiras imbecis passando mensagens pseudo-s eróticas para os nossos mini-futuro amanhã, e o pior, temos uma exarcebação de programas de auditório, onde uma mula é posta para comandar o show, e dizer a hora da graça (sem graça muitas das vezes). meu Deus merecemos morrer, é isso que eles querem, nos matar com tantas aberrações e crendices injustificáveis sendo postas e impostas, para esse nosso universo já tão complexo. precisamos é da poesia, da música, da prática eufórica do esporte, da troca viva do contato mutuo, é isso, ai é que se encontra a salvação. não à quebrei nem à joguei fora, não consegui acabar com ela, esse Mhuunnrra que vive dentro de nossas casas é muito mais forte que a vontade da salvação; "a televisão é a imagem da besta"*.
*Obs: Frase de outdoor, no final da Marginal, quando entra para a Ayrton Senna.





11.10.02
 
um dia feliz
estou feliz hoje, tudo parece tão bom, tão harmonioso, a vida, as pessoas, as situações, até a de repente melancolia contribui em me fazer bem. queria muito continuar permanecendo nesta sintonia alto astral em que eu me encontro.na verdade desconheço o que aconteceu comigo hoje, os motivos são inexistentes para este estado sublime de espírito que se assola sobre o mim. o entusiasmo e as perspectivas, parecem uma realidade gratificante, talvez até seja a resposta que procuro. me policio aqui em usar colocações contraproducentes, manchar esta áurea pura que rodeia o meu caminho seria uma estupidez, quero manter o equilibro, seguir o caminho do meio para quem sabe encontrar um significado maior para o fato de existir. este estado no qual me encontro, esta longe de um conforto, mas é uma força para continuar seguindo reto nesta caminhada árdua na busca do alivio da resposta .





10.10.02
 
procuro uma resposta
estou eu a tentar entender a psicologia do café, é algo que realmente me causa curiosidade. o porque deste líquido forte de sabor variado causar tanto frison na vida das pessoas ? esta curiosidade sucedeu-se após meu interno "psique" aderir a tal vício de forma abrupta, sem aviso, ou qualquer manifestação condizente com uma resposta satisfatória. eu que bebia café só pela manhã como acompanhamento do pão matinal. esse habito continuo herdado dos meus antepassados faz-me enxergar que não há como fugir as tradições. meu bisavô, meu avo, meu pai, meus tios, meus primos, meus amigos e vizinhos, meus patrões, empresários, jornalistas.....todos são adeptos a este vício. o cheiro que exala no preparo é subliminar, o famoso cafezinho faz se presente na vida de todos. ele é um assessório, é o coringa, é a carta na manga, tente usa-lo!!!, "vamos lá tomar um café???", aceitar este convite pode prejudicar em um derradeiro desabafo perigoso, subir para tomar café após um jantar com a pessoa desejada é a ponte necessária para espichar a noite até a cama. tomar um café com o chefe, pode significar uma promoção, ou uma demissão amigável, por isso, dependendo do seu histórico pense duas vezes antes de aceitar o convite. eu fui contratado em um café, minha mãe me fez depois do café, o meu dia só começa após café, os bate-papos mais filosóficos da minha vida se dão em um café, pode até ser uma ótima desculpa para (re)encontrar o grande amor...ele faz esse paradoxo em nossas vidas e nem percebemos. falando nisso, com licença, preciso tomar um café.
obs: ainda estou a tentar entender...





8.10.02
 
conversei com nossa senhora

foi uma experiência inacreditável, eu com minha dor de barriga, aquela tenebrosa, que após cada evacuação do produto interno arrepia até o último fio de cabelo nascido, os olhos lacrimejavam, o odor presente era o meu “eu” mais pútrido, a revista que estava lendo não me entretia para a espera póstuma do próximo, minha barriga continuava doendo, exarcebado internamente eu estava, havia comido muito peixe no almoço e aquela dor não passava...."minha nossa senhora tenha piedade de mim"....a cada minuto que evocava a nossa senhorinha um póstumo interno saia do profundo intestino. " ....nossa senhora tenha piedade" - eu aclamava, não estava agüentando e de novo eu aclamava "...nossa senhora tenha piedade" e tchupléfe mais um tolete pra dentro do trono se fazia presente. quando; de dentro do espelho saiu uma luz e junto com ela uma mulher que parecia Carmem Miranda, só que as argolas estavam na cabeça. "pois não meu filho" - ouvi uma voz, o que desejas?, perguntou. nossa senhora e a senhora? ,perguntei na minha assustada curiosidade. claaaruuuuhhhh!!! o que te aflige? mas tinha que aparecer justo agora, estou ocupado, minha barriga dói,... e vira pra lá que tenho vergonha - retruquei. hoje era o seu dia de ser abençoado com um pedido, qual vai ser, estou aqui., o que você esta fazendo? -perguntou ela. coco! conhece? na sua leiguisse respondeu; a fruta típica das regiões tropicais? não nossa senhorinha, é mais ou menos parecido, mas é outra coisa, é o resto do alimento, a parte ruim. vocês ainda não aprenderam que a parte ruim é a parte mais importante, nós lá de cima temos que explicar tudo para vocês de carne e osso, será que é difícil entender??, só volto a falar com você, quando você comer tudo isso que esta jogando fora, desperdiçar é inadequado. Claro!!! obedeci nossa senhorinha, no começo foi difícil, mas hoje pra mim é uma refeição indispensável, agora tenho merda na cabeça, e ela, segundo consta nos autos, titica de galinha, estar nesta sintonia me deixa profundamente feliz.
Ps: esse texto é proibido para menores de 18 anos.





7.10.02
 
Que tal um pouco de Neruda???

QUEM MORRE?

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não
encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos
os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não arrisca a vestir
uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando esta infeliz com o seu
trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um
sonho,quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos
sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da
chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de inicia-lo, não pergunta
sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre
algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um
esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplendido de
felicidade.

PABLO NERUDA





4.10.02
 
Eu e Maninha
fui lanchar no Mcdonald's "Feliz" da Augusta com a Al.Santos, me encontrava meio assim sei-lá, sabe? nada estava muito de acordo nos acontecimentos do decorrer do dia, tudo era estranho, assim como a vida , as coisas e as pessoas. o Mcdonald´s as vezes capricha no quesito meia-boca(esculacho), ou seja, a batata uma ínhaca de gordurosa, o hambúrguer frio, os nuggets pareciam um pedregulho, a coca salvava-se pois estava calor e encontrava-se refrescante."-moço compra uma bala de mim?", esta fala me fez voltar para a realidade, "- não, eu.....", olhei-a fixamente e enxerguei além dos olhos, vi um mundo de perspectivas cruéis, seu olhar era de menina nova, 6 anos, no máximo, ela estava com seus maltrapilhos de plebéia, um olhar de incômodos porquês nela estavam impregnados, junto com o desentendimento brutal de sua realidade ainda mais incompreendida. me lembrei de Truffaut, no seu clássico do tempo da novelle vague (Os incompreendidos - Les Quatre cents coups – Fraça 1959)onde dois meninos de origem humilde passeavam pelas ruas de Paris. meu hambúrguer estava pela metade, continha três nuggets na caixinha e a batata estava praticamente intacta, nada mais descia, aquele lanche pop urbano ficou entalado na estreita passagem dos alimentos."-você quer meu lanche?, - perguntei. na sua humildade se aproximou, "- não, eu só quero que você compre uma bala", seu olhar ficou ainda mais penetrante, não pude suportar o vazio infantil que acometia, desviei o olhar, "- maninha vamos embora, o gerente ta vindo", ela correu com medo de ser repreendida...
quis me livrar daquele lanche, da minha condição humana, da ingratidão e de todos os contras que convinham na minha cabeça. alguma perguntas se acrescentaram ao meu formulário de perguntas sem respostas; o que iria ser de maninha? que futuro a esperava?





3.10.02
 
"Que merda de coração, essa porra devia servir só pra bater..." - da Gra
estou avulso, sou da perdição, me dedico agora as revistas eróticas e aos filmes pornôs, eles é quem me satisfazem, são todos incrivelmente prazerosos, orgiosos e extraem o que há de melhor do humano; o gozo fácil.
esta não é a melhor saída, sempre tive verdadeira repulsa por atos do voyeurismo exarcebado, do apenas exigente compromisso sexual, destes prostituos da indústria do sexo.... aderi ao fácil e duvidoso prazer, se entregar a uma revista erótica onde corpos nus em poses do explícito sexo causam uma ereção plausível é tremendamente aconselhável. isso me faz lembrar de uma recente adolescência em que trancar a porta do banheiro era a prova de que algo ocorria. sua mente viajava, as fotos pareciam real, eram sonhos acontecendo, o prodígio do erótico infiltrava sobre a alma...ah Meu Deus! era tudo bom...o coração acelerado o suor do corpo sua mãe batendo na porta o chuveiro ligado o espelho embaçado sensações internas transformavam-se, ãmh,ãmh,amh,ãmh,ãmh,ãmh........................................... corria-se para limpar o acontecido, passava um sabonete no corpo, e pronto...abria-se a porta e o vapor ali encubado se esvaia, escutava algum sermão, nada que o afetasse muito.e tranqüilo voltava para o reduto da vida real.
não havia complexidades, nem culpas, nem porquês, nem serás....nem dor. era mágico, mas não se sabia... minha repulsa hoje se transformou em um nostálgico pensamento infantil, tudo era mais fácil.....a falta do contato assumido regulamenta a este impasse, faz a transbordante análise projetar este empecilho, está indefinição na arte do relacionamento. estatísticas comprovam que o sexo influi 87% na vida a dois, 3% companheirismo e afeto, 5% amor e os outros 5% é a intolerância, ou seja a parte insuportável que sempre existe. Longe de mim fazer apologia a este pobre produto da sociedade moderna, meu encanto maior ainda é pela troca, pela essência, pelo conhecimento, pelo sublime intrínseco.





1.10.02
 
esta chuva, esta refrescante chuva que caiu neste dia primeiro do décimo mês, veio para limpar os nebulosos e acordar os adormecidos, ela com sua finalidade maior que é como tal suavizar o tempo inchado que nos afoga e faz suscitar situações difíceis.mas eu não quero falar do tempo, quem fala do tempo é quem não tem assunto...
quero falar da feliz felicidade que é encontrar uma nota de R$50 no bolso de uma calça, quando na sua carteira, os míseros R$2 que a habitam desde do domingo passado, faz se presente. minha necessidade de consumir corre nas minhas veias, me sinto um leão fugindo da sua gaiola e correndo para selva, para devorar tudo que estiver pela frente. aaaaaaarrrrrrrhhhhhrh!
quero gastar, quero gastar, quero gastar.....isso porque eu encontrei R$50 ou melhor US$14 (na cotação de hoje, amanhã pode ser US$12)...quando penso na minha necessidade de consumo, encontro uma outra necessidade que é maior que essa, a necessidade de ter apenas R$2, e o absurdo faz me crer que atrás do querer maior a um outro querer, o querer presente. isso me leva a uma real conclusão, eu sou um tolo (mas isso, só eu tenho esta liberdade de achar) ter só dois reais na carteira quando se pode ter R$50, é o cumulo da tolice...vou segurar o leão junto com a fome do prazer capitalista, e conter-me... minha felicidade agora é ter R$52




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