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![]() PARATODOS.este é um espaço, dedicado paratodos aqueles amigos que realmente conhecem a alma e o paradoxo de um ser a procura da resposta... nesta longa jornada pela procura, espero contar com os perdidos, pois é com eles que está o achado maior .... olhaki_galera@hotmail.com28.11.02
Não há nenhuma árvore que o vento não tenha sacudido observando a abundante vida nesta cidade magnífica que é São Paulo, constatei que dos inúmeros absurdos que ela nos proporciona, existem dois que estão embutidos no universo acomodatício dos paulistanos. sendo isso o derradeiro descompasso, desperdício, coisa inútil, inexplicável. somos obrigados a adaptar-se a esta realidade, a este insosso mal das grandes metrópoles. a preparação matinal para minha diária rotina de um confesso proletariado, junto com a paz do tranqüilo amanhecer de todos os dias, na beldade da manhã, nas perspectivas mundanas que me acometem isso tudo, este insólito prazer é eliminado . caminhando ao transporte condutor do meu eu, rumo para o estabelecido trabalho, me deparo com uma fila na rolante escada para a entrada no espaço onde este se localiza. segui em direção da catraca onde uma outra fila estava a minha espera. passei pela catraca e fui em direção a segunda escada para chegar onde o esperado vagão se encontrava, novamente uma outra fila se fazia presente. já na plataforma de embarque me deparo com uma outra fila para entrar no transporte condutor. dentro do tal me deparo com uma outra fila para sair deste. para chegar a plataforma superior me deparo com mais uma fila na já citada escada rolante. uma outra fila para passar na catraca e assim conseguir sair. mas ainda havia uma outra escada e uma outra fila para chegar ao tão esperado térreo. no mental cansaço de sobes e desces me respondam, que inventou esta inutilidade chamada escada?para mim, parece coisa da grécia antiga. e a fila, porque existe esta reflexiva espera para o alcance da chegada oportuna? neste alvoroço de filas, escadas e espera, eu vejo que a solução é meditar, e assim quem sabe encontrar um equilíbrio aceitável para oferecido presente. dizem que a vida é feita de espera de sobes e desce. agora eu sei porque. que o diga a encravada rotina.... ps: chegando no prédio onde exerço o meu escravo trabalho, me deparo com mais uma fila na entrada para o elevador... 27.11.02
um dia de verme preocupado com as festas de final de ano, com a balada da noite, com a empregada que passou minha calça bem mal passada, com a biblioteca que não tem o livro que eu preciso, com o cd da pearl jam que não toca (não comprem cd na music store), com a minha folga se vai rolar no reveion, enfim, futilidades triviais de um verme. eu sou um verme, pelo menos é assim que eu me sinto, depois de ter conversado por alguns minutos com meu amigo Mud no icq, onde este meu chapa, veio com o seguinte relato. - estou mal Gustavo... - pq. menino? - ouvi uma conversa que me deixou depre na hora que eu estava escovando meus dentes... - o que foi que vc. escutou? levou chifre? - duas faxineiras conversando sobre suas vidas, uma dizia para outra que não valia a pena ela ficar sem comer para comprar remédio pro filho, que ela devia se alimentar, pois ele prercisava dela bem, com saúde. - nossa que coisa chata para se escutar depois do almoço... - elas nem me viram. aí ela disse que nada descia, que não adiantava ela comer, a única coisa que interessava era ver seu filho melhor... - que coisa triste, esse tipo de assunto é meio pauleira. - é Gustavo você aí preocupado com a festa do Leo, eu aqui preocupado com a viagem, somos um VERME. - credo menino, não precisa exagerar. - vou sair Gustavo amanhã a gente conversa... - fica bem, a vida é muito mais. - pois é, percebi isso hoje. depois dessa conversa minhas veias de meditação foram brevemente ligadas, comecei a analisar os meus últimos dias, minhas banais preocupações e o tão vasto é o mundo para preocupar-me apenas com meu umbigo. a vida é muito mais, meu improlífico descontentar me corroe como cupins nos gravetos, meu egoísmo é maior que eu e o que eu tanto desprezo é o que eu mais sou. ser um verme, faz de mim, ser menor do que eu sou. 26.11.02
"Mundo,mundo, vasto mundo, e se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não uma solução" Carlos Drummond Andrade Hoje acordei e carregava nos ombros, o mundo. Pesava-me a cabeça, o coração comprimido, dolorido. Abri a janela em busca de um pouco de ar que me restituísse a respiração e fui invadida. Fui invadida pela imponência do dia. Como podia o céu estar tão azul e a natureza em tamanha harmonia no mesmo dia em que eu tinha a incumbência de carregar nos ombros, o mundo? Um dia que já havia começado acabado, pesado demais para as minhas forças. Melancolia, árvore gerada de desilusão, fruto da dor da perda. Como poderia ter terminado assim, se este lindo e alegre dia apenas começava? Como posso eu e minhas humildes dores competir com o milagre de um dia? Fui esmagada e torturada pelo simples ato de viver e carregar comigo, em meus ombros, o mundo, as dores criadas, o dia. O dia perdido? Mais um dia? Quando acordei, levantei-me com dificuldade, pois tinha que equilibrar o peso do mundo. O dia veio e me humilhou mais ainda, era lindo o desalmado. (M. Vaz de Oliveira) Ps: essa minha amiga é excelente 25.11.02
parece indecente, mas é normal conheci um pouco mais de mim neste sábado, como ainda não me conheço profundamente, esse aviso foi a seriedade extremada para meus dias futuros. tive o pré-conhecimento daquilo que sou, pelo menos pedaço de mim. não estando adequadamente inserido em um lugar correspondente ao crasso alucinado do outro, perdia –me em adágios e não via-me como um ser normal. a balada delirante, o esfuziante enlouquecer da alma, a lorpadez na maturação simplória das caras e bocas, a diamba supostamente saudável para a salvação da noite, tudo era o bastante no meu alongado orbe. a salvação da minha não exclusão do normal mundo, foi intertextualizar um programa exibido na noite anterior . no meu irredutível lapso de memória, supunha que normal seria seguir um padrão estabelecido por uma sociedade que traria respostas, mas isso foi uma inverdade criada por um consolo aceitável. por estar longe de seu habitat, e percebendo que aquele ambiente não é o seu costumeiro espaço, o humano pode se considerar um habitual ser submergindo nessa percepção, que é um incrível e desejado achado. o anômalo seria estar fora do "habitue" mundo, e achar que aquele mundo te concerni. o mortificante, o esdrúxulo, o hipotético, o luminar selvagem, o agrupamento da espécie, enfim, dentro da restrita estância que ocupa cada um desses, a ádvena normalidade faz se presente. acho bom fazer parte de acontecimentos, que eu creio ser normal, e assim abranger o normal de mim. 22.11.02
tu fumas? sempre tive uma verdadeira repulsa por cigarros, aquela fumacinha hedionda junto com o insuportável cheiro, eram uma combinação elevante para a minha tolerância. mas na "roda da vida" tudo é uma surpresa. hoje eu aprovo o cigarro, aprovo quem fuma e até o cheiro malcheiroso, percebi que tudo na vida é adaptável, acomodatício e amoldável . tudo por culpa de um bafo alarmante, o mau-hálito insuportável, aquele sopro foi a descoberta para uma aceitação que eu nunca pensei em aceitar. estava eu todo empolgado querendo espargir o meu beijo subliminar para uma boca no mínimo similar, quando o entorpecer da boca beijada me espantou, continuei beijando pois não podia cuspir, fazer erght! ou interromper com uma pergunta do tipo - tens problema de estômago? seria rude, grosseiro, um ato abrutalhado eu diria. não pude, controlei-me, disfarcei, despistei, fui ao bar, fingi que iria comprar uma bebida e voltei com um trident (bendito, salvador trident, exclamava em meus aforismos ), - aceita? - perguntei. - não obrigada! - pega um! - insisti. - não, eu não quero. - pega vai, larga de graça. - não, não gosto de chicletes... - e bala? quer bala? - não gosto de nada que estrague os dentes. - uma bebida, água, alguma coisa? - você vai insistir ? - só quero que se sinta bem... - vou ao banheiro (o que vou fazer, esse bafo é a tortura. – pensei) derepente, não mais que drepente “Havia uma pedra no caminho, No caminho havia uma pedra” (Drummond) - oi gatinho tá atoa? - porquê? - perguntei na minha ira pelo bestial hálito. - só estou perguntando nervosinho? - não estou afim de responder nada! - retruquei. - você fuma? - não. detesto cigarros. o cheiro também. e o bafo, eu odeio o bafo de cigarro. eu odeio bafo, odeio bafo. - que horror! credo!!! comigo não tem bafo não, tenho sempre halls... você quer um? - ...halls!? eu adoro halls. - você quer um? - quero muito... - então,vem pegar aqui na minha boca, vem! não me contive, a busca por um beijo suficiente, com sabor de maçã verde foi maior, num impulso irrefletido lasquei o incorpóreo tocar do meu lábio, e a noite foi do prazer imperativo. comecei a reparar que todas as pessoas que fumam tem sempre uma balinha, um chicletinho ou algo do gênero, em contrapartida as pessoas que não fumam acham que seus hálitos tem um delirante sabor, só porque não cachimbam. vou lançar a campanha, além das camisinhas distribuam halls, tridents e tudo que tiver para a salvação do alento aceitável. Agora eu sempre pergunto, - tu fumas? 20.11.02
A vida serve é para se morrer dela ..."A vida é curta demais para eu ler todo o grosso dicionário a fim de por acaso descobrir a palavra salvadora" "Me justificar mais do que a vida? No mundo das coisas, quando sei que elas vão acabar, começo a fruí-las. Tenho medo de estar viva. "O mundo inteiro teme a própria vida. A morte é coisa que não é nossa. Mas a vida, a vida é, e eu morro de medo de respirar." (Clarice Lispector) 18.11.02
sem marcas registradas - uma (mini)homenagem a Paulo Francis A função de universidades é criar elites, e não dar diplomas a pés-rapados. [ Folha de S. Paulo - 24 / 11 / 90 ] Acho ridículo andar com uma calça que tenha o nome de alguém na minha bunda. Bunda que mamãe beijou vagabundo nenhum põe tarja. [ Folha de S. Paulo - 31 / 10 / 86 ] É preciso ter mingau na cabeça para acreditar em astrologia. [ Folha de S. Paulo - 16 / 9 / 90 ] Tomei todas as drogas, nunca me viciei em nenhuma e todas me deram o maior barato. Nunca senti vontade de atrelar minha vida a uma substância, por uma falsa euforia. [ Folha de S. Paulo - 13 / 8 / 89 ]
atual shakespeare Mesmo no mundo do crime há uma ética a preservar, mesmo o pior criminoso tem um interdito moral. O crime de parricídio e matricídio premeditado durante o sono é mais que um crime; é uma viagem ao desconhecido, é o desejo de atingir um recorde supremo. O crime sem motivo nos desorganiza, pois nos coloca nas mãos da loucura. Esse crime me lembra o mistério fúnebre da peça de Shakespeare Macbeth, o poder de liberdade crua que Suzane almejou me lembra o poder que os Macbeth conquistariam, depois de "assassinarem o sono", como grita o poeta. A frase da peça que mais me aterroriza é quando lady Macbeth, preparando-se para o crime, grita a Deus (ou ao Demônio): "Unsex me!" (Dessexualize-me!!) Ou seja: "Tire de mim a bondade feminina, transforme-me não num homem, mas tire o sexo de mim, para que eu seja um homem-mulher, um ser livre da diferença, livre da condição humana dividida, sexed, e me transforme num ser monobloco, com um desejo só." Suzane é psicopata, mas nossa sociedade também o é. Não há explicação para esse crime. Não adianta procurar causas, traumas. Esse crime ficará sempre em aberto. Misterioso, como nosso destino. (Arnaldo Jabor) 15.11.02
Aqui, neste misérrimo desterro Onde nem desterrado estou, habito, Fiel, sem que queira, àquele antigo erro Pelo qual sou proscrito. O erro de querer ser igual a alguém Feliz, em suma — quanto a sorte deu A cada coração um único bem De ele poder ser seu. 14.11.02 um helicóptero sobrevoa ao redor do prédio em que me encontro, alguma coisa aconteceu lá fora, tudo indica que um susto maior terei quando descer e chegar ao ato do acontecido. buzinas são disparadas e um vento calcinado faz-se presente na atmosfera habitada. esta pressão que o tempo nos entrega, é o mal estar impiedoso que agredi e sai do nosso denso extenso. porque temos que nos sentir mal as vezes? porque o susto da vida? porque a pergunta, e o que será agora? o medo é uma constante em nossas vidas, onde temos que conviver com esse indevido senso da inconsciência. somos pressionados a diversas coisas, esse tal medo é uma pressão, fazer coco é um pressão, ter que beijar na boca é uma pressão, somos seres pressionados desde da nossa vinda ao mundo. somos pressionados a sair do conforto materno para a acobardante vida. o helicóptero se foi, e o medo de algo acontecido também, fui pressionado a esquecer este fatores e concentrar-me na essência menor.13.11.02
o jogo da verdade, aquele vaivens de perguntas e respostas que a garotada valer-se para descobrir caraminholas, foi o meu passa-tempo neste final de semana. a descoberta maior foi o tão psicológico pode se tornar um simples jogo. um desconcerto profundo se alastrou, pois dois dos participantes começaram a desabafar insatisfações mútuas, e um passado consternado veio a casca tênue. de repente, o que era doce ali já não existia mais, foi muito maçador cada colocação ali proferida, uma vez que estávamos em um simples passa-tempo de final de semana. me vi em um reallity show (divertido!), essa foi a única proficuidade que se impetrou. os anfitriões coitados, ficaram na corda bamba das emoções. e apesar de, toda a lição que se tem disto é, desistam de suas análises e joguem o jogo da verdade..... mas omita certas verdades (se é que se diz a verdade!? – eu não disse), pois o participante ao lado, em vez de ser o psicólogo a escuta, pode ser um simplório hostil!
esses dias torrenciais são extremamente prazerosos, se não fosse a enfermidade do meu corpo, estaria tendo insanas turgescência. precisamos desses nebulosos acontecimentos para que a derradeira rotina se curve a essa limpeza do céus. o fato é, temos que sobreviver as mesmices dos tempos, e esses dias nebulosos são um diferencial para modificarmos com chacoalhões esse obtuso fato, obtendo com isso, uma visão profana meio que intimista dessa indistinta paisagem. os trovões e das trovoadas são um excelente susto a esta infâmia do viver, nada pior que um fim de tarde calmo sem acontecimentos, aqueles do interior. a paulista esta parada, as buzinas se proliferam, e o chão molhado vindo da famosa garoa, faz com que uma introspecção maior nos tome. a vida podia ser um constante carnaval de acontecimentos. 11.11.02 o meu enfermo estado me privou de escrever algo para vocês, fui dispensado do trabalho, vou para casa descansar meu pranto. Hoje deixo vocês com Clarice... "Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo. ![]() 8.11.02 "O verdadeiro amigo é aquele que aparece quando o resto do mundo desaparece". gargalhem! gargalhem da vida, das coisas, de você. abra um sorriso para si, permita a achar graça de você mesmo, veja o quanto espirituoso você é, e gargalhe, ria, se divirta, busque o encanto, o êxtase, a metamorfose, a adrenalina, VIVA!! o prazer esta em você. o negócio é ter saúde pra gozar no final! o resto é só um vestígio. esqueça as chatice, as amofinações, o stress, o trabalho árduo, a usança e os acabrunhamentos, é tudo um disparate do viver. entreguem-se ao amadorismo de sentir o deleite, sinta o frescor da aragem no seu terno rosto. a vida é um piscar, é um sopro, é um já. esta tudo girando e você não pode ficar parado, tem que seguir o fluxo, por isso aproveitar é lacônico. quando se permitirem a isso tudo, verão que o estio esta no seu interno. "Se você morrer antes de mim, pergunte se pode levar um amigo" - Stone Temple Pilots 7.11.02 parece que estou vivendo os mesmo dias todos os dias, nada muda, nada se realiza, nada acontece... fui capturado pelo tempo, estou preso até as entranhas. quero o "blum" do tempo. necessito de uma explosão, de um acorde, vamos, abra o olho e enxergue isso que esta vivendo, essas mesmices adicionadas por esta rotina chinfrim. sou um ingrato sim! sou um rebelde sem causa e sem porque , mas sou um rebelde!e a rebeldia me faz aviltar. preciso admirar o tempo e sua transparente superfície, e com isso, achar um caminho para a fuga do labirinto deste tempo inchado. essa reflexão exige muito de mim, é uma apunhalada cruel, refletir é sempre uma apunhalada cruel. estou gripado e o delírio e um sintoma.
6.11.02 O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... (Alberto Caeiro) esta facada foi o culminante para se freiar qualquer entendimento que possa vir surgir daqui para frente, vou escrever sobre o prazer de viver, percebendo desde já que estar vivo requer uma compreensão inigualável para cada um. fui buscar neste mini pensamento que martela o meu pensar os primórdios da minha existência, e junto descobri a sua. quando penso o tão gozado é ser um gozador, vindo de um gozo maior. somos seres realmente gozados. você já parou e analisou sua rabugentice, os vocábulos difamatórios que produz por aqui e acolá, os seus pensamentos aleivosos que demudam a sua rotina, a improbidade que te alastra, analise, vamos! antes de ser um ente atroz e nefário, que apunhala com palavras vis o outro, corroendo o espectro puro e límpido da suprema alma, acima disto, você é um gozado. um ser vindo do gozo, é de lá que você veio, do prazer da carne, do grito profano, do susto satisfatório, do calor dos corpos. você é o “prazer em carne, o esperma crescido a porra em alegria." não se zanguem, está é a verdade que ninguém quer ver. me sinto um gozador nato, sou um esperma pensante que age e sente, sou a meleca do estopim, fiz a baldiação entre os dois corpos, disso sou isso, sai de la, eu estou de acordo, me chamem de porra!
5.11.02 amor de hoje Hoje, o amor, como tudo, está perdendo a transcendência. Não existe mais o amante definhando de solidão, nem Romeus nem Julietas, nem pactos de morte, não existe mais o amor nos levando para uma galáxia remota, não existe mais a simbiose que nos transportava a uma eternidade semi-religiosa. O amor tinha uma fome de bondade, de compaixão pelo outro, de proteção à pessoa amada. Isso está acabando. O amor já foi analisado por todas as ciências, a psicanálise mapeou as loucuras que estão sob sua poética, o ritmo do tempo atual acelerou o amor, o dinheiro contabilizou o amor, matando seu mistério impalpável. Hoje, temos controle, sabemos por que "amamos", temos medo de nos perder no amor e fracassar no mercado. O amor pode atrapalhar a produção. amor que virá Aposto que virá aí um novo "desbunde", um novo movimento hippie, sem utilidade, mas sem melancolia autodestrutiva, vêm aí marchas pelo amor, porque ninguém está agüentando mais somente "utilidade" e "desempenho", poder e sucesso. Estamos virando coisas. Precisamos aprender a amar de novo as pedras, as árvores, as nuvens, até chegarmos a nós mesmos... E acho que isso vai surgir na América, como foi nos anos 60 - a luta pelos direitos civis será agora a luta pela beleza da inutilidade. (Arnaldo Jabor) 4.11.02 fui surpreendido preciso escrever, necessito da escrita assim como os pássaros das asas. esse final de semana foi muito produtivo, pois o sono me tomou de forma alcantilada, sonhei, sonhei muito, descobri que a vida sem os sonhos é igual um lago sem água. escutei muita bossa-nova que é um descanso para a alma e faz bem para os meus ouvidos, joão gilberto com aquela voz rouca e baixa é estupro gratificante para o meu interno. assisti bergman que faz bem para o pensar, suas longas tomadas e seu foco na imensidão de seus personagens é mesmo desconcertante. o fim de semana foi dos finados e os dias estavam estupidamente aprazíveis, o sol abrasador com o vento refrescante é a combinação perfeita, junto com céu azul e são paulo desocupado (sentido figurado). aquela pergunta, que é uma surpresa para o meu eu, foi feita várias vezes....meu deus!!! arrotaram nesta sala onde concentro-me para a minha escrita profunda, foi pior que uma buzinada no pé do ouvido, que a voz do edson cordeiro, erght!, veio um misto de almoço com alguma coisa indecifrável , não sei, estou segurando minha respiração, ...continuo segurando, ...não quero decifrar o interno de ninguém, o putrefato alheio é pior do que eu imaginava, estou a procura de mim ainda. 1.11.02 a pergunta que não quer calar acho que os dias estão mais agressivos, as pessoas mais ríspidas e o tempo mais aparvalhado, me encontro assustadoramente resguardado no meu particular. penso, como será a humanidade no seu andamento? me vem Kubrick com sua odisséia, tim burtom e os macaco, ridley scott com seu caçador de andróides, e agora o mestre spilberg, com sua inteligência artificial e seu guardião do futuro. na era dos aborígine a comunicação e o entendimento viviam no momento escasso, tudo se entendia na base do cacete, em seguida, o homem foi civilizando-se, civivilizando-se, civilizando-se até voltar a ser o que era; "aborígine", o homem moderno continua sendo é um aborígine incomunicável. a comunicação maior esta no cacete. o olhar do homem moderno é um assombro só, arrisque puxar assunto com alguém na rua, discorrer um oi ou algo assim, se tiver uma afirmação acolhedora é um espírito que estará falando. o homem moderno não é assim, e eu não estou generalizando, isso é um fato só. as pessoas se atropelam nas ruas, todo mundo querendo passar por cima de todo mundo, o grito é o que prevalece, no mundo moderno são todos passando por cima de todos, isso é o progredir, é o chamado amadurecimento do homem. os aborígines matavam sobreviver. o homem medieval lutava para matar, o homem do passado de ontem, matava em guerra na conquista do seu espaço, já o homem atual conglomera tudo isso e muito mais. a vida me cansa as vezes, é muita informação e pouca comunicação, e isso é um paradoxo sim! pensar em tudo isso não é o consolo que procuro, não é o consolo maior, qual é o consolo que procuro? essa pergunta, é a que nunca irá se calar...estou doente dos olhos, essa é a realidade. hay dias notícias do mundo de cá pollyanna drika o estranho mundo de jack oh! hal9000 delírios ilícitos harry distante do mundo real pink freud roger nego ruivo tempo de violência |
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