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PARATODOS.

este é um espaço, dedicado paratodos aqueles amigos que realmente conhecem a alma e o paradoxo de um ser a procura da resposta... nesta longa jornada pela procura, espero contar com os perdidos, pois é com eles que está o achado maior .... olhaki_galera@hotmail.com


31.7.03
 




 

no despertar de uma nova vida

paro, escuto, reconheço-me
o som da minha voz caem no ar sem vida
fiquei o mesmo, tu estas morto, tudo é insensível...
saudar-te foi um modo de eu querer animar-me
para que te saudei sem que me julgue capaz.
da energia viva de saudar alguém
o coração por sarar,
quem me salva de ti?

Fernando Pessoa

muitas coisas se modificarão,
o decorrer de vida em vida faz isso acontecer.
hoje me sinto uma outra pessoa,
um embrião em estado de evolução.
ao completar mas esse ano
vejo o globo de forma desigual.
a linearidade talvez é o erro que almejamos.
toda essa bagunça se encaixará como quebra-cabeça,
a paisagem que vejo, no encaixe de cada peça
é um segredo que guardarei a sete chaves.
não estou longe do paraíso, sei que não estou,
minha casa não possui o singular dos móveis da cathy whitaker,
e nem a beleza atmosférica de um doce lar hipócrita.
eu ja vivo em um turbilhão de emoções na minha rotina,
quero o inverso, o sossego interno me faz falta.





28.7.03
 

o mundo não tem intenção de beleza, e isso antes teria me chocado

eu não quero mais o movimento completado
que na verdade nunca se completa
e nós é que pôr desejo completamos;
não quero mais usufruir da facilidade
de gostar de uma só coisa só porque,
estando ela aparentemente completada,
não me assusta mais, então é falsamente minha,
eu devorador que sou das belezas.
a beleza seria um acréscimo
e agora vou ter que dispensa-la...

Clarice Lispector

na estrada, em um dos pouco minutos no qual me mantive calado,
me veio ao raciocínio, sobre a "deturpação do belo" pelo qual a humanidade atravessa.
esses pensamentos esdrúxulos me invadem no tempo esporádico,
e me perco em pensares estranhos, e por vezes acabo me desiludindo.
quanto a "deturpação do belo" nenhuma conclusão plausível,
talvez sejamos sementes mal plantadas, mal regadas e mal brotadas,
e o que fazer? “as vacas que foram para o brejo que morram”*
já o pensamento esporádico e a desilusão, esses insatisfizeram-me.
acho que pensar atrapalha muito a busca e a vivência do ser feliz.
no meu caso, vivo me pegando em pensamentos de qualidade frouxa,
logo em seguida uma tristeza paira, é, ser triste faz parte do ser humano,
e essa tristeza faz destruir a expectativa viva da alegria.
concluo então que pensar é tão errôneo quanto em nada pensar.
pensando muito eu corro o perigo da descoberta,
não a descoberta de mim, pois ainda não quero me conhecer,
mas a descoberta do outro no mundo.
e quando lembro daquela velha senhora hipnotizada pelo seu interno,
é que resolvo então deixar de pensar e esperar o meu dia,
talvez meu emplasto seja glorioso, triunfal e até mais digno
e essa esperança faz parte do egoísmo contemporâneo,
em palavras mais explicitas, "a deturpação do belo".

*frase de André Marra





26.7.03
 

nem mesmo o medo mais, nem mesmo o susto mais

é que a minha rouquidão de mudo já era uma rouquidão de quem estava fruindo de um inferno manso. a rouquidão de quem esta tendo prazer, o inferno me era bom, eu estava fruindo daquele sangue que eu derramara. tão mais largo é o meu medo pela falta de medo, não o medo de quem ainda vai entrar, mas o medo tão mais largo de quem já entrou.
Clarice Lispector

as cores do dia estão mais para casablanca, um cinza claro frio.
o colorido de “...e o vento levou” foi ofuscado pela sombridão do tempo,
e toda a magnitude da fotografia clássica do clássico retrocedeu.
minha vida que é menos que um clássico filme, daria um curta,
talvez para curiosos pseudos-cinéfilos, mas só isso.
a saga de scarlett o’hara, sempre exerceu uma força sobre mim,
todo aquele desbravar ficou subliminado desde minha infância,
perdurando até os dias futuros. lutar pela minha “tara” era um ideal.
ai eu conheci o amor, ele me foi apresentado,
assim como a faca é apresentada a pele.
o dilema de bogart e ingrid vieram ilustrar essa fase,
junto com canção “as times goes by”.
com isso, a luta pela sobrevivência do ser foi abandonada,
continuo tendo que viver, fugir disso é um erro,
mas a luta por "tara" foi brecada pela canção acima.
o conforto do coração se faz necessário mais que o respirar.
tenho que mudar de filme, quem sabe “o poderoso chefão”,
um ser imponente com invólucro duro, intensa figura temera,
onde o respeito por si mesmo, é o caminho certo no viver do dia.
é, mas até papito tem um coração,
e o gesso que o envolve também apresenta rachaduras.





25.7.03
 

a vida, meu amor, é uma grande sedução onde tudo que existe se seduz.

eu não queria reabrir os olhos, não queria continuar a ver.
os regulamentos e as leis, era preciso não esquece-los,
é preciso não esquecer, que sem os regulamentos e as leis
também não haverá ordem,
era preciso não esquece-los e defende-los para me defender.

Clarice Lispector

já era tarde, os dois dormiam um sono recente,
em mim o tal sono, ainda não havia chegado.
reparava a meia lua que no céu se estampava,
a noite era calma, pois as risadas que acabávamos de dar
nos proporcionou a tranqüilidade do momento já.
o mistério pairava me sobre a cabeça, o clima era de interrogação,
o que cada um no seu leito sentia, e o pensar , qual era o pensar?
o deserto da noite esteve vivo no lento ninar dos meus olhos.
estava me reduzindo aos poucos ao que em mim era humano,
e toda aquela complexidade da individualidade se esvaiu e veio o sono.
Sonhei o sonho tranqüilo, sonhei o irreal, sonhei que éramos um só.
a idéia de ser uma só pessoa me assusta,
não quero ficar grudado a ninguém, toda a separação é dolorida
um dia ela virá, para machucar ferir ou dilacerar ambas as partes.
as siamesas iraniana comprovaram isso,
por isso, ser várias pessoas como ripley ou o chacal
ou um grande camaleão na vida real pode ser um bom objetivo.
sei que me distanciei do sentimento nobre ao citar tal argumento,
minha realidade subverte todo esse pensamento,
e o que eu mais desejo é ser apenas uma só pessoa
mesmo que a mal falada separação venha com seu lança chamas.
sendo um só o afeto permanecerá,
e só sendo um, é que conhecerei a face sublime do amor.






21.7.03
 

nem tudo vale a pena, quando a alma não é pequena

cócegas é bem divertido, tem um texto bem sacado,
interpretações satisfatórias e está lá no tom brasil.
a casa possui muito mais adjetivos que a peça,
ja escutei de tudo lá, desde violão com joão gilberto
até ao enfadonho, mais bonitinho musical "cazas de cazuza".
tem biscoitos e mini tortinhas com chá na saída,
aliás a massa da tortinha não estava crocante.
o pessoal da casa é muito antipático, um incoveniente à parte,
o espaço é confortável com luz e música ambiente.
o público é uma mistura de curiosos com classe média pseudo-intelectual.
ingrid guimarães é muito boa atriz, sua vesgueira é um charme.
heloisa périssé agrada e sua atuação é satisfatória.
o texto é um pastelão de primeira com boas tiradas,
ao contrário do "terça insana", não faz crítica mordaz
e não possui humor sofisticado, mas as duas seguram bem a onda.
para um domingo a noite, onde a besteira reina na tv
e os cinemas estão lotados com filmes de qualidade duvidosa,
até que valeu ter prestígiado um espetáculo desses.
espero poder assistir dentro em breve o texto de clarice,
ou matheus nachtergaele com peças possivelmente mais interesantes.
outro dia fui ver a peça do juca de oliveira,
se ninguém merece "caixa2", privar-se dessa é a melhor solução.
"a flor do meu bem querer" é o erro que vai ser sucesso,
tem um público paulistano, que é adepto a esse tipo de espetáculo
o mesmo público que talvez alavanca o ibope do gugu no domingo legal.











 

atenciosamente clarice

fiquei imóvel, calculando desordenadamente.
estava atento, eu estava todo atento,
em mim um sentimento de grande espera havia crescido,
e uma resignação me surpreendia:
é que nessa espera atenta
eu reconhecia todas as minhas esperas anteriores,
eu reconhecia a atenção que antes vivera
a atenção que nunca me abandona,
e que em última análise
talvez seja a coisa mais colada à minha vida.
quem sabe aquela atenção era a minha vida?
qual é o único sentimento de uma barata?
a atenção de viver, inextrícavel do seu corpo.
em mim, tudo o que eu superpusera ao inextrícavel de mim
provavelmente jamais chegara a abafar a atenção que,
mais que a atenção à vida,
era o próprio processo de vida em mim.
Clarice Lispector





17.7.03
 

...o oposto da suave beleza que resultara de meu talento de arrumar, de meu talento de viver, o oposto de minha ironia serena, de minha doce e isenta ironia: era uma violação das minhas aspas, das aspas que faziam de mim uma citação de mim.

não sei que forma dar ao que me aconteceu
e sem dar forma, nada me existe.
e se a realidade é mesmo que nada existiu?!
quem sabe nada me aconteceu?
só posso compreender o que me acontece
mas só acontece o que eu compreendo – que sei do resto?
o resto não existiu. quem sabe nada existiu?
quem sabe me aconteceu apenas uma lenta e grande dissolução?
cedo fui obrigado a reconhecer, sem lamentar,
os esbarros da minha pouca inteligência,
e eu desdizia caminho.
sabia que estava fadado a pensar pouco
raciocinar me restringia dentro de minha pela.
como pois inaugurar agora em mim o pensamento?
e talvez só o pensamento me salvasse
tenho medo da paixão.

Clarice Lispector

por mais que eu tente,
não aguento ler esta mulher.
ela me dilacera o interno
e corroe o meu espectro.
nessa mesma época
a um ano atrás, ela me fazia companhia.
minhas noites de inverno tem se tornado,
noites de introspeção, de alento ao mundo,
com isso posso quem sabe encontrar o caminho...





14.7.03
 




 

a vida e seus capítulos

me sinto ausente do corpo
meu imaginar me toma
começo a pensar em fatos.
como se estivesse no alto
visualizei as ocorrências.
ao deitar percebi o mim,
um outro mim que eu tinha,
o mim lá de trás, o mim que eu era.
um olhar me mobilizou esta manhã
e todos os sentidos se remexeram.
não agüento o olhar profundo,
ele lê e decifra o meu interno.
em um recente capitulo da minha vida,
vivi isso e confundi os acontecimentos,
não posso perturbar os fatos,
isso é assustador.
porque tocar na minha mão
sendo que ela se mantinha distante?
oh segunda-feira inchada em perspectivas,
tenha bondade de mim.




 

o tempo de cada um

pizzaria lotada com horas de espera,
quando tem predicados é assim que funciona.
“esperando nemo” com fila quilométrica
cheia de criancinhas berrando no querer da pipoca.
congestionamento no estacionamento do aeroporto,
domingo a noite todo mundo desembarca nessa cidade.
se não fosse amigos, o que seria de nós nesse caos urbano
que enfrentamos assiduamente no berço dessa metrópole?
pode ser domingo ou feriado, sempre tem uma fila para entrar,
acompanhamos uma trajetória para o decorrer da diversão.
é o que eu sempre digo, quando a companhia é boa
tudo fica melhor, quem tem amigos tem tudo.
conversar sobre trivialidades e aprender um pouco da vida
foi o memorando de sábado com os pais da minha amiga.
passear com a família e discutir sobre pequenas coisas,
foi no meu domingo de folga, uma comidinha caseira
e chateações das minhas primas acompanharam o cardápio.
jantar com os amigos, muita besteira, muito riso,
bobagens aos montes, diversão e presenças agradáveis,
é a receita certa para começar bem a semana.
mensurando o meu bem estar,
para mante-lo como esta,
atribuo as grandes modificações adquiridas.
esse é o tempo de cada um.





10.7.03
 

estou preso ao novo

estava tudo muito normal
alguma coisa tinha que mudar,
acordei esta manhã e o mesmo era presente.
cortei a medusa que estava me claustrofobando,
agora meu externo é outro.
para algumas entender a linguagem do amor
é complicado, foge a realidade.
outras, apenas o simbolismo do tal já é algo entorpecedor,
e merece uma interpretação mais profunda.
este feriado seria irrelevante,
se não fosse a existência de obras primas,
um sorvetinho diferente e a presença de amigos.
me surpreendo com alguns telefonemas,
a voz que soa é a mágica para o meu animar,
e como toda a mágica tem o poder de transformar,
acabo tendo uma outra luz e um brilhar mais aberto.
eu reflito, reflito e reflito,
talvez eu esteja me envolvendo,
se entregar é necessário para que uma vida se crie,
e o que eu tanto esperava...
é deixa para lá!





7.7.03
 

a ficcção e o existir

na esquina da peixoto gomide com a frei caneca
eu me encontrava junto a uma fome ávida.
R$3,50 no bolso, me resta um misto quente suspeito
e uma coca cola garrafinha, de casco abominável, anos 80.
ambiente nada aconchegante e publico não muito aprazível,
vamos lá, com esses tostões exigir qualificação é bobagem.
esqueça o joaquin´s ou o chapa, nada faz lembrar esse lugares,
era um desses botecos lotado, onde encher a cara é recomendado.
uma garçonete meia boca e atendentes pouco asseados,
papos de futebol, truco rolando, um casal beijando-se loucamente,
homem de aparência derradeira com perfume escabroso
e uma luz enfadonha para completar.
a poucos minutos havia assistido um dos filmes mais bonitos em vida.
juliane moore uma desgraçada na arte de interpretar,
figurino sofisticado, maquiagem sutil,
fotografia atraente e refinada com um roteiro simples e primoroso.
assim como no filme, estou “longe do paraíso”,
minha realidade era um boteco de beira de esquina,
com figurinhas de atributos confusos e um sanduíche insignificante.
voltar para o cinema era impossível,
aquela realidade fitológica estava além do existir.





2.7.03
 

nos contetemos com isso

fui assistir “por um fio”, na companhia de amigos,
mais um trailer policial com desempenho razoável.
tenho me decepcionado com os últimos filmes,
com exceção de “tiros em columbine”,
muita porcaria e quase nada a dizer tem invadido as telas.
o homem verde não agradou, o filme da temporada
com diretor excelente naufragou feio no bom gosto.
alguns truques de imagem e a jenniffer connelly ajudou.
já “o homem que copiava” tem roteiro caprichado
idéia engenhosa e muito clichê.
com humor leve e um elenco simpático
o filme agrada, fora isso nada muda na sua vida.
jorge furtado tem bom gosto, sabe fazer comédias,
mas o anterior* é menos pretensioso e mais sutil
consegue se diferenciar. pena não ter apoio de um bom estúdio.
matrix é aquele filme mirabolante com grandes efeitos,
dizer que não gosta é mais que um pecado, é um erro.
é para ficar de boca aberta, igual criança quando vai ao circo,
ou seja, muita acrobacia, diversão, e nada de útil, só palhaçada.
é triste, mas a grande dama do cinema nos deixou,
esse mundinho cinematográfico de hoje e os filmes banais,
são muito pequenos para o talento de katharine hepburn.
ainda bem que seus filmes permanecem, para alegria de muitos...

* “houve uma vez dois verões”





1.7.03
 
analises do pensamento

estava pensando nos meus filhos,
naqueles que expilo diariamente
para aprazer do meu corpo.
ao espirrar senti um hulk saindo pelo meu nariz,
tanta era a meleca que havia no papel.
fora aquelas coisinhas de todos os dias
que vai desde o liquido ao massoso,
algo verdadeiramente nojento.
ao dar descarga e ver todas aquelas coisas girando,
e se entrelaçando como casais apaixonados,
percebi tamanha aberração do meu interno.
cheguei a conclusão de que
os produtos inativos que produzo são inúmeros,
estou estupefato com o humano,
e com suas vias de produção.
nosso "pib" é de nível alarmante.
dizem a línguas conturbadas,
que somos seres perfeitos,
uma baboseiras a olhos vistos.
só porque temos pés, mão, olhos e etc…
se cada ser viesse com uma semente de alface,
um pé de feijão, uma porção de batatas,
e outros tantos com outras tantas coisas
dentro de si,
ai sim seriamos seres em condicoes perfeitas.
por enquanto daqui de dentro, só melecas
e palavras de sentimentos vis tem saído.




 
acho que o ano começa agora

muitas coisas se sucederam nesse mês de junho.
no mês vindouro que começa hoje
tenho a impressao que os acontecimentos serao tranqüilos.
o sentimento esta sob controle,
a vida profissional tem que deslanchar,
e organizar o mundinho em que eu habito
é a meta do instante ja.
ficar debilitado nao é normal
vou me dedicar mais a mim
e aos prazeres que meu corpo pede.
talvez minha cama para relaxar,
cha de camomila para sossegar,
coisinhas gostosas para o descansar,
e um bom cinema para animar,
e chega de trabalhar.
nao quero mais gostar,
isso faz bem so para desassossegar.
eu quero mesmo é comemorar,
e aniversariar é o que vai rolar.
eu logo quero é planejar!

ps: continuo escrevendo essas rimas pobres




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