left lapel  
bow tie


PARATODOS.

este é um espaço, dedicado paratodos aqueles amigos que realmente conhecem a alma e o paradoxo de um ser a procura da resposta... nesta longa jornada pela procura, espero contar com os perdidos, pois é com eles que está o achado maior .... olhaki_galera@hotmail.com


30.9.03
 


Hoje é Aniversário do Blog





29.9.03
 

tive o prazer de conhecer a decepção e a pusilanimidade.

minha gula pelo mundo: eu quis comer o mundo, e a fome com que nasci pelo leite, essa fome quis se estender pelo mundo , e o mundo não se queria comível. ele se queria comível, sim, mas para isso exigia que eu fosse come-lo com a humildade com que ele se dava. mas a fome é exigente, violenta e orgulhosa... Clarice Lispector

achei isso bastante interessante.

amor é propriedade. sexo é posse. amor é a lei; sexo é invasão. o amor é uma construção do desejo. sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. ninguém se masturba por amor. ninguém sofre com tesão. amor e sexo são como a palavra farmakon em grego: remédio ou veneno - depende da quantidade ingerida.
o sexo vem antes. o amor vem depois. no amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. no sexo, a cabeça nos perde. o amor precisa do pensamento. no sexo, o pensamento atrapalha. o amor sonha com uma grande redenção. o sexo sonha com proibições; não há fantasias permitidas. o amor é o desejo de atingir a plenitude. sexo é a vontade de se satisfazer com a finitude. o amor vive da impossibilidade - nunca é totalmente satisfatório. o sexo pode ser, dependendo da posição adotada. o amor pode atrapalhar o sexo. já o contrário não acontece. existe amor com sexo, claro, mas nunca gozam juntos.
o amor é mais narcisista, mesmo na entrega, na 'doação'. sexo é mais democrático, mesmo vivendo do egoísmo. amor é um texto. sexo é um esporte. amor não exige a presença do 'outro'. o sexo, mesmo solitário, precisa de uma 'mãozinha'. Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até na maior solidão e na saudade. sexo, não - é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. sexo é uma bruta vontade de verdade. o amor vem de dentro, o sexo vem de fora. o amor vem de nós. o sexo vem dos outros. 'o sexo é uma selva de epilépticos' (n. rodrigues). o amor inventou a alma, a moral. o sexo inventou a moral também, mas do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge. o amor tem algo de ridículo, de patético,principalmente nas grandes paixões. o sexo é mais quieto, como um cowboy - quando acaba a valentia, ele vem e come. eles dizem: 'faça amor, não faça a guerra.' sexo quer guerra. o ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo. amor é egoísta; sexo é altruísta. amor quer superar a morte. no sexo, a morte está ali, nas bocas. o amor fala muito. o sexo grita, geme, ruge, mas não se explica. o sexo sempre existiu - das cavernas do paraíso até as 'saunas relax for men'. por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provençais do século 12 e, depois, relançado pelo cinema americano da moral cristã. amor é literatura. sexo é cinema. amor é prosa; sexo é poesia. amor é mulher; sexo é homem - o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo. o amor domado protege a produção; sexo selvagem é uma ameaça ao bom funcionamento do mercado. por isso, a única maneira controlá-lo é programá-lo, como faz a indústria da sacanagem. o mercado programa nossas fantasias.
não há 'saunas relax' para o amor, onde o sujeito entre e se apaixone. No entanto, em todo bordel, finge-se um 'amorzinho' para iniciar. O amor virou um estímulo para o sexo.
o problema do amor é que dura muito, já o sexo dura pouco. amor busca uma certa 'grandeza'. o sexo é mais embaixo. o perigo do sexo é que você pode se apaixonar. o perigo do amor é virar amizade. com camisinha, há 'sexo seguro', mas não há camisinha para o amor. o amor sonha com a pureza. sexo precisa do pecado. amor é a lei. sexo é a transgressão.a é o sonho dos solteiros. sexo é o sonho dos casados. amor precisa do medo, do desassossego. sexo precisa da novidade, da surpresa. o grande amor só se sente na perda. o grande sexo sente-se na tomada de poder. amor é de direita. sexo, de esquerda - ou não, dependendo do momento político. atualmente, sexo é de direita. nos anos 60, era o contrário. sexo era revolucionário e o amor era careta." e, por aí, vamos. sexo e amor tentam mesmo é nos fazer esquecer a morte. ou não; sei lá... e-mails de quem souber para a redação. (Arnaldo Jabor e Rita Lee)







25.9.03
 

talvez uma provocação, na verdade quero os meus quinze minutos de fama

não posso destruir ninguém ou nada, pois a piedade me é tão forte como a ira; então eu quero destruir a mim , que sou a fonte dessa paixão. não quero pedir a Deus que me aplaque, amo tanto a Deus que tenho medo de tocar nele com o meu pedido, meu pedido queima, minha própria prece é perigosa de tão ardente, e poderia destruir em mim a imagem de Deus, que ainda quero salvar em mim. mas a quem pedir nesse rápido instante? Clarice Lispector


pela manhã encarei, estava cansado dessa submissão.
há tempos olhava-o, de forma a buscar um sentido.
ele estava ali, abaixo de mim, e isso me incomodava.
conhecia o meu interno mais que eu mesmo
e isso me dava uma inveja insensata, uma rasa melancolia.
as pessoas ao meu redor não gostavam de comentar sobre,
era um verdadeiro tabu paratodos, o interno às assusta.
quase sempre quando algo dava errado seu nome era citado,
era constrangedor ouvir seu nome em vão, e não poder fazer nada.
quando nos encontrávamos era a hora mais prazerosa do meu dia,
eu, sempre tímido com medo de alguém assistir.
na minha casa sempre foi seguro, lá eu me sentia bem confortável.
as pessoas tem faro aguçado, sentem de longe certas coisas
ficar dando mole e escutar chacotas de alheios é desnecessário.
em algumas ocasiões tínhamos que nos encontrar em lugar público,
era um transtorno todas as vezes, não me sentia seguro para algo tão profundo.
lembro certa vez que sua presença causou indignação dos meus primos,
exclamavam “puta que pariu” para tudo quanto é lado, eles são uns toscos.
ao me limpar digo um tchau para os vestígios que seguem outro itinerário
eu acho bonito quando ele sai bem marronzinho, bege é estranho,
procuro evitar verdes, pois sua cor muda na hora da transformação.
eu sinto que ele gosta da beterraba e do milho, eles sempre estão juntos.
quando sai muito grande sempre forma morrinho, eu acho divertidíssimo
algumas pessoas acham que eu tenho a irmã dele na cabeça
eu até acho que é verdade, ninguém perde tanto tempo escrevendo de excreções.
e essas são as metáforas que a vida nos reserva...





18.9.03
 



uma noite inesquecível entra para a história dos grandes espetáculos

nossa querida prefeita tabajara marta suplicy foi ovacionada com vaias.
luana piovani muito simpática estava de tiete, junto com o grande público.
família xororó inteira no camarote com anônimos.
serginho groisman acompanhado com uma loira passou despercebido
washington olivetto meio de pileque com uma gelerinha legal.
no camarim, maria rita recebeu os novos fãs com atenção e simpatia.


o show da maria rita foi um pasmo de emoção.
tenho tido a sorte de acompanhar excelentes turnes
com artistas de qualidade plausível, mas a noite no direct tv
é extremamente difícil de se relatar, pois ali o sentimento maior
se fez presente, com todos os derivados e predicativos possíveis.
quando ela entrou no palco um absurdo tomou conta dos olhos,
os ouvidos e a atenção foram roubados, e agora ela nos dominava.
sua voz e presença de palco embutidos com um carisma estarrecedor
hipnotizava a platéia, que delirava com o término de cadaa música.
presencie diversas vezes fãs enlouquecidos por seus ídolos,
onde o grito dilacerante era o modo para se fazer ouvir
e expressar de todo o jeito a admiração e o fanatismo pelo artista.
no show de maria rita tudo era muito suave, queríamos gritar sim,
não por fanatismo ou algo do gênero, mas sim pela alegria proporcionada,
pela felicidade interna e pela sutileza de cada gesto e cada música.
tivemos uma noite de gala, muitos ali nem sabiam o que estava por vir,
eu me incluo nesse muitos, era uma surpresa de show que se tornou
uma agradável surpresa de show, onde a emoção falou mais alto.
comparado a uma relação sexual, quando o tesão é demais e o gozo sai antes do fim,
a sensação que se tinha era que a platéia queria gozar com aplausos, antes da música terminar.
me lembrei de bethania quando canta a clássica composição de chico,
depois de muito gingado, tormento e angustia, ela coloca a mão no peito e grita
“não dá mais para segurar, explode coração”, com o show de maria rita,
a angustia e o tormento foram trocados pela satisfação e o prazer,
e a platéia se expressava desse modo com um sem modo apaixonante.





15.9.03
 
tenho tanto sentimento que é frequente persuadir-me de que sou sentimental, mas reconheço, ao medir-me,que tudo isso é pensamento,que não senti afinal. temos, todos que vivemos, uma vida que é vivida e outra vida que é pensada, e a única vida que temos é essa que é dividida entre a verdadeira e a errada. qual porém é a verdadeira e qual errada, ninguém nos saberá explicar; e vivemos de maneira que a vida que a gente tem é a que tem que pensar.Fernando Pessoa





9.9.03
 

ter nascido me fez perder a saúde.

lisbella e o prisioneiro merece ser assistido, mesmo com o descaso dos críticos.
acho que quem melhor compreendeu a idéia do filme foi luiz carlos merten, do estadão,
ele disse: a origem do sucesso do filme se deve a linguagem fácil para a massa
e uma linguagem extravagante para as classes intelectuais,
cativando assim ambos os públicos, ponto de vista definitivo.
estou aqui na pedroso, e vou assistir mais uma vez o terça insana,
preciso desses minutos, para o prazer da face, sorrir eh muito bom espanta tudo.
não consigo me desvencilhar de certas barreiras que atrapalham o meu bem estar,
tento imaginar uma vida sem a claustrofobia desses eventos,
me vejo sempre "encurralado", algo que me desassossega muito.
diferente do filme de spilberg, o vilao mostra sua face, encara e me persegue.
fui a igreja por força maior, esses ambientes ja não me dizem mais nada,
tento acreditar que o amanhã sera diferente e acabo sempre percebendo
que o hoje é o dia do presente, viver o agora é o primordial,
esperar é ficar na janela como a carolina, o tempo já, é valioso demais.
a felicidade do instante, são notícias da minha esposa, diretas da austria,
"vou sentir muito sua falta no meu aniversário,
mas sei que estará comigo pois “ no verdadeiro amor, são as almas que envolvem os corpos”
e não há distância que impeça uma alma de envolver a outra."
é a felicidade existe, e as palavras expressam muito bem ela.






2.9.03
 

estou tão assustado que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém me está dando a mão

minha coragem foi a de um sonâmbulo que simplesmente vai. durante as horas de perdição tive a coragem de não compor e nem me organizar. e sobretudo de não prever. até então não tivera coragem de me deixar guiar pelo que não conheço...até que por horas desisti. e por deus tive o que eu não gostaria. não foi ao longo de um vale fluvial que andei - eu sempre pensará que encontrar seria fértil e úmido como vales fluviais. não contava que fosse esse grande desencontro. Clarice Lispector

as pessoas encontram-se tão esquisitas,
eu mesmo estou bastante estranho,
sei lá porque, as situações pedem isso.
nada tem me agradado muito,
não é infelicidade, sou bem feliz até
mas os acontecimentos do hoje insatisfazem-me
as atitudes alheias abruptam o meu bem estar.
a misantropia na qual se encaixa o mundo
é tremendamente assustadora e aterrorizante.
eu entendo perfeitamente os suicidas,
caso a covardia não tivesse sido apresentada
eu teria fortes tendências em oferecer o fim a mim.
esse vírus que contaminou a todos, é austero
quer desvencilhar o humano do sublime da existência.
o mau humor do outro parece continuo e crescente,
o aglomerado sempre tem uma reclamação para perpetrar,
difícil um ser em estado de plenitude exarcebada.
porto alegre pode vir a ser uma alegria futura,
por enquanto me contento com a extirpação do meu catarro
é uma meleca gostosa de se brincar, e isso pode parecer excêntrico.





1.9.03
 

tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo... *()

Quanto mais me despedaço, mais fico inteira e serena. (Cecilia Meireles)

começo a perceber como sou chato.
enquanto umas pessoas escrevem sobre prazeres da carne
eu escrevo divagações com sentidos duvidosos.
tenho que confessar, as vezes nem eu me entendo,
sou intricado demais, quando ser simples é mais natural,
talvez ser filósofo seja um desejo interno
que exponho sem consciência da atitude.
vou tentar de agora adiante, como experiência,
alistar de forma acriançada minhas idéias.
vou minutar baboseira juvenis para aprazer dos leitores,
contrariando toda a tentativa inicial que eu adotei.
pela manhã duas moças de aparência distinta
conversavam sobre a tonga da mironga do kabuletê.
é uma extravagância emitir opinião para certas pessoas,
um ato maroto que as vezes cometo para desprazer de alguns.
elas se davam muito bem com seus conceitos
estavam tranqüilas em sua categoria humana, e riam.
elas nada tinham para tanto gargalhar,
declamavam inglórias e coisinhas insatisfatórias.
rir é a solução dos problemas, todos deveriam aderir a isso
vendo essas púberes, essa certeza fica nítida.
eu não consigo ser alegre o tempo inteiro,
e tenho a impressão que devo mudar isso.
agora, pretendo rir até das minhas cuecas rasgadas....

*Carlos Drummond de Andrade




Home | Archives

Powered By Blogger TM

hay dias
notícias do mundo de cá
pollyanna
drika
o estranho mundo de jack oh!
hal9000
delírios ilícitos
harry
distante do mundo real
pink freud
roger
nego ruivo
tempo de violência
  right lapel