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![]() PARATODOS.este é um espaço, dedicado paratodos aqueles amigos que realmente conhecem a alma e o paradoxo de um ser a procura da resposta... nesta longa jornada pela procura, espero contar com os perdidos, pois é com eles que está o achado maior .... olhaki_galera@hotmail.com28.2.05 ![]() somente a consciência individual do agente dá testemunho dos atos sem testemunha, e não há ato mais desprovido de testemunha externa do que o ato de conhecer." Olavo carvalho já somos o esquecimento que seremos, a poeira elementar que nos ignora, que não foi adão e que é agora todos os homens. somos apenas duas datas: a do princípio e a do término. não sou o insensato que se aferra ao mágico som de seu próprio nome. penso com esperança naquele homem que não saberá o que fui sobre a terra. abaixo do indiferente azul do céu, esta meditação é um consolo.Jorge Luís Borges a grande maioria dos leitores de blogs se entediam com nomes próprios, em homenagem a eles deixo aqui meu texto sem nomes ou sobrenomes, vou usar alguns codinomes para referir-me ao alheio, mas nada além de. ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() a tal fulana se excitava ao vender o corpo, gostava da indevida profissão, dormia com rapazes possíveis e impossíveis, menores de idade e senhores. vendia saborosas trufas em escolas, cafés e restaurantes badalados na cidade. devoradora de livros, preferia os clássicos, mas arriscava-se na literatura moderna. o namorado, um ciclano motorista de ônibus, da linha central do horário da madrugada. um de seus pudores consistia em copiar receitas a tarde, idem a uma dona-de-casa, com isso satisfazia seu macho, um desabonado, com deliciosos pratos requintados e trufas de sobremesa. o tal ciclano não implicava com a sórdida vida da amante, que recebia bem pela baixeza, mas tinha ela que estar sempre no mesmo horário para entregar-se a ele. não admitia atrasos o qualquer desculpa, importava-se apenas com a pontualidade, como um marido que chega do trabalho e quer ter sua família assentada no lar. ele a tinha assim, e ela carecia ser cobrada de algo, a completa liberdade era demais, por isso permitia a audácia do dito em regrá-la naquele momento do tempo e da vida. não esperava nada, a surpresa das aventuras noturnas já a contentava. a ambicão incidia apenas em cozinhar estupendamente, isso já era um grande prazer. na escola que vendia trufas, seu filho, que ela cedeu a um casal desconhecido, cursava a terceira série. um menino feio cheio de sardas e cravos, olhar carregado, sentava-se na primeira carteira e tinha boas notas mas nenhum amigo. a genialidade nas aulas e sua condição de adotado fazia dele o chacota da escola, nem mesmo com a proteção dos professores o sossego-lhe era garantido. um dia a tal fulana viu o seu renegado apanhando de uns moleques, não conteve-se, ajudou-o expulsando todos. sua altura e os longos braços fez a gurizada se espalhar. continua... 18.2.05 ![]() ![]() todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia.Manoel de Barros o mistério das coisas, o mistério das coisas, onde está ele? onde está ele que não aparece ao menos para mostrar-nos que não é mistério? que sabe o rio disso? que sabe a árvore? e eu, que não sou mais do que eles, que sei eu disso? e sempre que eu olho para as coisas e penso no que os homens pensam delas, eu dou risada. eu dou risada como um regato sua fresco numa pedra. porque o único sentido oculto das coisas é elas não terem sentido oculto nenhum. é mais estranho do que todas as estranhezas, do que os sonhos de todos os poetas e o pensamento de todos os filósofos, que as coisas sejam o que realmente parecem ser e não haja nada que compreender. sim, sim, heis, heis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos, as coisas não tem significação, tem existência.Fernando Pessoa ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() tinha acabado de assistir ao filme do clint, menina de ouro, iria emendar outra sessão, mas antes fui ao banheiro secar o meu reservatório. vi-me pateticamente comovido com o melodrama do caowboy e, é nessas horas que eu me envergonho de mim por cair em armadilhas cinematográficas, tema trágico e trilha sonora arrebatadora que faz lacrimejar até pedra. estava eu no bidê dos homens, descarregando a bexiga, tirando água do joelho, mijando ou tantas outras denominações que encontramos por aí. pensava em laços de ternura, que tem a mesma proposta, shirley maclaine cuida da filha no hospital, jack nicholson pentelha a mocinha (senhora), trilha sonora mais que arrebatadora, de uma similaridade com às cenas que tinha acabado de assistir. hospital rende boas lágrimas e detona o público frágil, afinal quase todos já passamos ou tivemos alguém que passou por lá, se não ainda, aguarde. uma voz vinda de dentro da cabine pergunta: - tem alguém aí?, olhei para os lados não tinha ninguém, continuei o serviço e não respondi. outra vez a voz; - tem alguém aí? chacoalhei o menino, no lugar não tinha aqueles guardanapos para secar a última gota, eu estava no bristol, cinemão popular, e não no bistrô do fasano, era exigir muito. sacudi, expremi, balanguei, balancei, nessas horas ele vira um carnavalesco nato, e a voz continuava; - tem alguém aí, preciso de ajuda! exclamou. de imediato respondi apreensivo - o que esta acontecendo, o que deseja? preocupei-me. o moleque respondeu; - amigo acabou o papel, soltei um barro aqui e não tem papel. aquele alarde exagerado porque acabou o papel, todo mundo é um pouco cazuza as vezes. minha marotisse se fez presente e pensei em deixar o desconhecido sair todo lambuzado do banheiro. respondi: - pô cara não enche limpa com a cueca. lembrei que um amigo em londres fez isso na hora do aperto e, em um ato indignado ele retrucou; -porra meu não tem como, minha cueca é calvin klein, paguei uma nota. pensei, deve ser bichinha, usar cueca calvin klien e se lastimar por isso. eu estava ainda sobre efeito do filme do clint, o sadismo não me pertencia naquele momento - quebra essa camarada, estanca um pedaço de papel e joga ai por cima. não me contive, meu prazer em estar no desespero alheio foi incomensurável, me senti um vilão, não esses enfadonhos que encantam a novela das oito. ri por dentro, mas logo despertei para solidariedade. - Huuummm! a meleca foi grande. decidi ajudar, joguei um maço de papel por cima e fui lavar as mãos. escutei o dito dando descarga e em seguida abriu a porta. ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() incrível apareceu uma cópia escrita de mim, sim era quase eu, mas não era eu, entende? ele se apresentou sou o seu anjo da guarda, estou aqui porque você precisa de ajuda. anjo da guarda? ajuda? no banheiro? cagando? estava assustadíssimo, estarrecido, abobalhado. como se pudesse ler meus pensamentos minha cópia respondeu; - anjos cagam sim, não como vocês seres humanos, o nosso é mais leve, parecido com algodão doce. sabia que iria fazer esta cara, as vezes me envergonho de ser seu protetor, mas é o ciclo, um dia você será o meu. enojado que eu estava, ainda bem que eu nunca gostei daquela coisa grudenta, que faz a alefria dos enamorados e das criancinhas berrentas. senti-me naquele filme bobinho da nora ephron, um com o jonh travolta, um água com açúcar chatíssimo, em que o personagem aparece como anjo para dar uma missão. é de deixar wim wenders estarrecido com seu poético e intimista asas do desejo. além da aparência meu anjo tinha algo mais de mim; - você tem que prestar atenção nos signos, eles estão todos expostos, só falta decifrá-los. seu caminho esta traçado, se você continuar a agir dessa forma continuará a viver na mesmice da rotina. e ele desapareceu. anjo que fala em código ninguém merece. já chega às metáforas do filme do clint, ainda me vem mais essa. fiquei maravilhado por ter um anjo que olha por mim, que usa cuecas calvin klein e caga algodão doce, mas não entendi nada de signo. leio quiroga todos os dias e lá não explica essas coisas significados. ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() sai do banheiro e fui assistir o filme do johnny depp e da kate winslet, meio extasiado com a revelação enigmática e meio comovido, mas sou ímpio nessas lendas de anjo da guarda. se ele existe poderia me contar o resultado da mega sena ou como eu faço para obter sucesso profissional, essa coisa de estrada me lembra o mundo de oz. no filme seguinte tive outra constatação, em vez do mundo de oz prefiro a terra do nunca. um amigo, hoje conhecido, uma vez clamou para eu sair de lá. mas eu não saio, acredito no poder da sininho. 2.2.05 ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo. Carlos Drummond vivo sonhando sonhando mil horas sem fim tempo em que vou perguntando se gostas de mim tempo de falar em estrelas falar de um mar e um céu assim falar do bem que se tem mas você não vem não vem você não vindo, não vindo a vida tem fim gente que passa sorrindo zombando de mim e eu a falar em estrelas, mar, amor, luar pobre de mimque só sei te amar. Tom Jobim até então nada de novidades, permanece a mera contemplação das mesmas coisas. hay dias notícias do mundo de cá pollyanna drika o estranho mundo de jack oh! hal9000 delírios ilícitos harry distante do mundo real pink freud roger nego ruivo tempo de violência |
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